
Prezados irmãos e irmãs no Senhor, mais uma vez, reunidos diante do altar, celebramos a Eucaristia e comemoramos a Solenidade da Santíssima Trindade. Ao regressar da Assembléia Geral dos Bispos e do Congresso Eucarístico Nacional, rendo louvor e de ação de graças a Deus pelo meu retorno, revigorado na fé e na esperança, e transmito a mais cordial saudação a toda a comunidade católica de Campina Grande.
Em primeiro lugar, saúdo com estima os sacerdotes de nossa Diocese, com os quais tive a feliz oportunidade de me encontrar no dia 18 de maio na peregrinação do clero a São João do Cariri. Aos sacerdotes de nossa Diocese, agradeço a estima e a colaboração no serviço divino e na condução das almas. Além disso, não posso deixar de saudar o Povo de Deus, fiéis todos que acompanharam dia-a-dia pela televisão a programação dos eventos acontecidos em Brasília, sempre oferecendo suas orações e seus trabalhos para bem da Igreja de Cristo.
A solenidade da Santíssima Trindade nos coloca diante do mistério do Deus que se revelou aos homens e nos fez conhecer o seu nome. O Nome acima de todo nome é o próprio Deus, o Eterno e o Invisível, quem o proclama passando diante de Moisés na nuvem, no monte Sinai. O seu nome é: “O Senhor, Deus misericordioso e clemente, vagaroso na cólera, cheio de bondade e de fidelidade”. No Novo Testamento, São João resume esta expressão com uma única palavra: “Amor” (1Jo 4,8.16). Atesta-o também o Evangelho de hoje: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu único Filho" (Jo 3, 16).
Por conseguinte, este nome exprime claramente que o Deus da Bíblia não é um deus fechado em si mesmo e satisfeito com a sua própria auto-suficiência, mas é vida que deseja comunicar-se, é abertura e relação. Todas as palavras como “misericordioso”, “clemente” e “cheio de bondade” nos falam de uma relação, em particular de um Ser vital que se oferece, que deseja preencher todas as lacunas, todas as faltas, que quer doar e perdoar, que deseja estabelecer um vínculo sólido e duradouro. A Sagrada Escritura não conhece outro Deus, a não ser o Deus da Aliança, que criou o mundo para incutir o seu amor em todas as criaturas e que escolheu um povo para estabelecer com ele um pacto nupcial, a fim de fazer com que ele se torne uma bênção para todas as nações e assim formar da humanidade inteira uma grande família (Gn 12,1-3; Êx 19,3-6).
Esta revelação de Deus delineou-se plenamente no Novo Testamento, graças à Palavra de Cristo. Jesus manifestou-nos o rosto de Deus, uno na sua essência e trino nas pessoas: Deus é amor, Pai, Filho e Espírito Santo. É precisamente em nome deste Deus que o Apóstolo Paulo saúda as comunidades de Corinto, saudando-nos também a todos nós: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13).
A solenidade da Santíssima Trindade convida-nos a contemplar o Senhor Deus. E, num certo sentido, convida-nos a subir “ao monte”, a exemplo de Moisés, para encontrar Deus. À primeira vista, para nós que estamos em Campina Grande ou em qualquer outro lugar da Paraíba, talvez isto pareça afastar-nos do mundo, da realidade e dos seus problemas, mas, na realidade, descobriremos que é precisamente conhecendo Deus de perto que recebemos também as orientações fundamentais para esta nossa vida, pois Deus é a realidade mais concreta que podemos conhecer.
Moisés, subindo ao monte Sinai e permanecendo na presença de Deus, recebeu a Lei gravada nas tábuas de pedra, da qual o povo extraiu a orientação para prosperar, para encontrar a liberdade e para se formar como povo em santidade e justiça. É do nome de Deus que depende a nossa história; e da luz do seu rosto, o nosso caminho. Desta realidade de Deus, que Ele mesmo nos fez conhecer revelando-nos o seu “nome”, ou seja, o seu rosto, deriva certa imagem de homem, isto é, o conceito de pessoa. Da realidade de Deus depende a nossa realidade. De modo particular, Jesus revelou-nos que o homem é essencialmente “filho”, criatura que vive em relação com Deus Pai, e deste modo em relação com todos os seus irmãos e irmãs, e com todas as criaturas.
Caros irmãos e irmãs, enquanto comunidade de fé e de amor, enquanto Igreja Diocesana, busquemos estar na presença de Deus, contemplemos sua face no mistério da face de Cristo, a fim de que possamos viver como filhos de Deus e irmãos em Cristo, sendo um sinal para o mundo. Amém.