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<Setembro, 2010>
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PALAVRA DO BISPO
Cristo é a nossa Paz e Econciliação
por Dom Jaime Vieira Rocha
Cristo é a nossa Paz e Econciliação e Maria é a Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

Amados irmãos e irmãs na fé em Cristo, nesta sexta feira, dia primeiro de janeiro, iniciamos o novo ano com a celebração a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Louvamos o Senhor pela divina maternidade de Maria, mistério que foi solenemente confessado e proclamado no Concílio Ecumênico de Éfeso, no ano 431.

Na Sagrada Liturgia, escutamos a passagem do Evangelho de São João que convida a contemplar o momento da Redenção, quando Maria, unida ao Filho no oferecimento do Sacrifício, estendeu sua maternidade a todos os homens, em particular, aos discípulos de Jesus. Testemunha privilegiada desse acontecimento foi o próprio autor do quarto Evangelho, São João, o único dos apóstolos que permaneceu no Gólgota. A vocação e missão materna da Virgem com relação aos crentes em Cristo começou efetivamente quando Cristo lhe disse: «Mulher, aí tens o teu filho» (Jo 19,26).

O Santo Padre Bento XVI nos ensina que Cristo ao morrer, vendo desde o alto da cruz a Mãe e a seu lado o discípulo amado, reconheceu a primícia da nova Família que veio formar no mundo, o germe da Igreja e da nova humanidade redimida pelo seu sangue. Por este motivo, se dirigiu a Maria chamando-a «mulher» e não de «mãe»; termo que, contudo, utilizou ao confirmá-la ao discípulo: «Eis aí a tua mãe» (Jo 19,27).

O Filho de Deus cumpriu, deste modo, com sua missão: nascido da Virgem para compartilhar em tudo, salvo no pecado, nossa condição humana, no momento do regresso ao Pai deixou no mundo o sacramento da unidade do gênero humano: a família congregada pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, cujo núcleo primordial é precisamente este vínculo novo entre a Mãe e o discípulo. Deste modo, ficam unidas de maneira indissolúvel a maternidade divina e a maternidade eclesial. Maria é Mãe de Deus e Mãe da Igreja; Mãe da Unidade e da Paz.

Após esta grande festa, neste domingo, dia 3 de janeiro, nos voltamos para a celebração da Solenidade da Epifania do Senhor. O Filho de Deus, que nasceu do seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, manifestou-se ao mundo como príncipe da paz. O santo apóstolo Paulo afirma na Carta aos Efésios que todos, inclusive os pagãos, são chamados em Cristo a participarem plenamente no mistério da salvação. Em particular, o texto utiliza a expressão “Ele, Cristo, é a nossa paz” (Ef 2,4).

Inspirado pelo Espírito Santo, São Paulo não só afirma que Jesus Cristo nos trouxe a paz, mas infere também que ele “é” a nossa paz. E justifica esta afirmação referindo-se ao mistério da Cruz: derramando “seu sangue”, diz, oferecendo como sacrifício “sua carne”, Jesus destruiu a inimizade “para criar em si mesmo, dos dois, um só Homem Novo” (Ef 2,14-16). O apóstolo explica de que forma realmente imprevisível, a paz se realiza na pessoa de Cristo e em seu mistério salvífico.

O nascimento e a manifestação do Rei Messias nos trouxeram Graça e Paz. “Graça” é a força que transforma o homem e o mundo. “Paz” é o fruto maduro desta transformação. Cristo é a graça, Cristo é a paz. São Paulo é consciente de ser enviado para anunciar um “mistério”, ou seja, um desígnio divino que só se realizou e revelou na plenitude dos tempos em Cristo, isto é, “que os pagãos são co-herdeiros, membros do próprio Cristo e partícipes da mesma promessa em Cristo Jesus por meio do Evangelho” (Ef 3,6).

Este mistério se realiza, no âmbito histórico-salvífico, na Igreja, esse novo Povo no qual, destruído o velho muro de separação, voltam-se a encontrar-se na unidade judeus e pagãos. Como Cristo, a Igreja não é só um instrumento da unidade, mas também um sinal eficaz. E a Virgem Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, é a Mãe desse mistério de unidade que Cristo e a Igreja representam inseparavelmente e que edificam no mundo e através da história.

Por essa razão, imploremos a Deus que conceda a paz para a nossa Igreja Diocesana, nosso clero, nossas comunidades, nossas famílias e nossa sociedade. São Paulo explica que Cristo fez de dois povos divididos, judeus e pagãos, um só povo (Ef 2,14). Esta afirmação se refere propriamente à relação entre judeus e pagãos frente ao mistério da salvação eterna; afirmação, contudo, que pode ampliar-se analogicamente às relações entre os diversos grupos sociais que constituem a nossa sociedade paraibana e campinense.

Cristo veio para anunciar e estabelecer a paz (Ef 2,17), não só entre judeus e pagãos, mas também entre todas as nações, povos e línguas que se abriram para a fé em Cristo, porque todas procedem do mesmo Deus, único Criador e Senhor do universo. Apoiado pela Palavra de Deus, desejo a todos um ano novo abençoado e cheio de graça e paz de Deus. Amém.
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