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<Setembro, 2010>
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ENTREVISTA - KIKO ARGÜELLO (1)
por Inmaculada Álvarez

Por ocasião da aprovação definitiva dos Estatutos do Caminho Neocatecumenal, um de seus iniciadores, o pintor espanhol Kiko (Francisco Gómez) Argüello, concedeu uma entrevista à Zenit na qual explica as chaves deste caminho de renovação batismal, hoje estendido pelos cinco continentes. Oferecemos aqui a primeira parte:

O que este reconhecimento definitivo dos Estatutos supõe?
Uma grande alegria e uma profunda gratidão ao Senhor e a Santa Virgem Maria, que sempre nos ajudou. E sobretudo a Pedro na pessoa de Bento XVI, que é quem ratificou os Estatutos.

Para nós, é uma confirmação de 40 anos de Caminho no mundo inteiro. Desde as barracas em Palomeras Altas, a Roma no Borghetto Latino, esperando que o Senhor manifestasse sua vontade, e também em um dos bairros mais pobres de Lisboa. Até esta aprovação definitiva há um percurso de sofrimento, de perseguições, de processos, etc., que no final teve fruto.

Diz-se no decreto de aprovação que o Caminho Neocatecumenal responde às intuições do Concílio Vaticano II. Em que sentido o faz?
Nós pensamos que o Caminho foi suscitado por Deus para atualizar o concílio na vida das paróquias. Na primeira reunião que tivemos com a Sagrada Congregação para o Culto Divino, quando examinaram pela primeira vez as celebrações do Caminho que fazíamos (acusou-se então o Caminho de que «repetia» o sacramento do batismo, o que não era verdade), o Comitê de especialistas, que por isso estava estudando a elaboração do Ordo Initiationis Christianae Adultorum, ficou surpreso pelo que estávamos fazendo, porque o Espírito Santo já estava realizando o que eles tentavam estabelecer.

O Pe. Gottardo Pasqualetti, especialista em Liturgia, veio a uma Eucaristia nossa. Depois o secretário da Congregação me ligou para avisar-me de que iam fazer uma laudatio em latim para toda a Igreja. Nela se dizia que se Deus não suscita carismas que atualizem o Concílio, é impossível levá-lo a cabo.

Quando a Congregação estudou o Caminho, a primeira coisa que viu foi que era um dom de Deus para levar o Concílio Vaticano II às paróquias, não um projeto humano. E isso se recolhe no texto da laudatio: que se depois do Concílio de Trento Deus não tivesse suscitado carismas para levar a cabo a reforma conciliar, esta teria sido muito difícil, e que o mesmo acontece no caso do Concílio Vaticano II: «praeclarum exemplar... nas Comunidades Neocatecumenais».

Outro aspecto é o amor à Eucaristia, do qual se falava na Constituição Dei Verbum. No Caminho isso é patente, há umas chaves hermenêuticas de interpretação da Escritura que permitem a redescoberta do Antigo Testamento em conexão com o Novo, também o poder ajudar a oferecer a renovação litúrgica, a renovação pastoral, etc.

Também é preciso destacar o espírito ecumênico que surgiu através do Caminho; a Igreja ortodoxa mostrou muito interesse.

Por que a catequese batismal é a chave para a evangelização do homem de hoje?
Porque o batismo nos abre a porta da Igreja, à participação da natureza divina. Como diz São Paulo, «a caridade de Cristo nos chama ao pensar que se Cristo morreu por todos, todos morreram. E morreu por todos para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles».

O problema do homem de hoje é que, pelo pecado original, ele vive tudo para si, ele se colocou no centro do universo, substituindo Deus como centro de sua pessoa, e não percebe que vive escravizado, condenado a viver para si mesmo. Isso provoca um sofrimento profundo, porque a verdade é outra, é que Deus é o amor total, a doação total ao outro que mostrou em Cristo; o homem sofre porque não ama como Cristo.

Em países onde se negou durante anos a transcendência, onde se negou Deus, como nos países ex-comunistas, o índice de suicídios é altíssimo. Porque a felicidade é viver na verdade, e a verdade é o amor. E esse pecado original só pode ser apagado através do batismo.

Por isso, é muito importante voltar a convidar os homens à fé, através da pregação, através do anúncio do kerygma, o anúncio de Cristo morto e ressuscitado. Quando Pedro faz esse anúncio, no dia de Pentecostes, as pessoas se comovem e se perguntam o que têm de fazer. Pedro responde: «Batizai-vos e recebereis o dom do Espírito Santo».

As primeiras pilas batismais eram piscinas (o Concílio volta a falar de imersão), às quais o neófito descia por umas escadas. Esta primeira forma de batismo representa perfeitamente o que significa este sacramento, a morte do homem velho e a ressurreição à vida nova, ao homem regenerado pelo Espírito Santo, que pode amar e entregar-se. Por isso, Cristo crucificado é a verdadeira imagem do homem livre.

Esta é, portanto, a resposta à secularização?
Claro, como pode o homem ser livre do pecado que atua nele? Só Cristo pode libertar o homem, fazer com que ele possa amar os demais, torná-lo partícipe de sua natureza divina. Isso é algo fantástico, que muda a vida do homem, e deve ser contado contar ao universo inteiro: reevangelizar o mundo.
Como dizia o Papa João Paulo II, esta nova evangelização requer novos modos, novos conteúdos, e isso é o que Deus suscitou através desse Caminho. Agora que os estatutos foram aprovados, podemos oferecer este Caminho aos bispos e à Igreja inteira, para levar adiante a Nova Evangelização.

O Caminho é diferente de outros movimentos existentes em sua forma jurídica, já que não é uma associação de fiéis. Você poderia explicar que tipo de figura adotou?
Precisamente uma das novidades do Caminho, como explica Dom Arrieta, membro do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, é que se reconheceu uma personalidade jurídica pública, ou seja, que atuamos em nome da Igreja.

A forma que adota é a de fundação de bens espirituais. Até agora, as fundações haviam sido criadas com base em patrimônios de tipo material, ao contrário do Caminho, que dirige um bem da Igreja que é o catecumenato de adultos, segundo as pautas marcadas por seus iniciadores.

Funda-se no bispo, já que quem tem potestade plena no referente à iniciação cristã é o bispo diocesano. Portanto, o Caminho não possui nenhum bem material; o titular dos bens é a diocese. O Caminho é, como diz o decreto de aprovação, um instrumento, um itinerário de catequese que se oferece ao bispo para a evangelização dos afastados.

Fonte: Zenit

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