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ENTREVISTA - MONSENHOR LOURILDO SOARES
por João Adriano

O Vigário Geral, Monsenhor Lourildo Soares, completa 35 anos de vida ministerial na Igreja de Campina Grande

A vida religiosa do Monsenhor Lourildo iniciou em 1961, no Seminário menor São João Maria Vianney, no Alto Branco, Campina Grande, PB, onde fez o curso médio até o ano de 1964. Após o término do curso, Dom Manoel, então Bispo, o enviou para o Seminário maior de Olinda e Recife, onde começou o curso de Filosofia, num período de ditadura militar. Transferido para Camaragibe nos idos de 1970, fez a Teologia na Universidade Católica de Pernambuco, retornando em seguida para Campina Grande.

Em sua volta para a Diocese, foi residir no Seminário Diocesano, onde passou muito tempo, até mesmo quando se tornou Faculdade, um Departamento da FURNe (Fundação Regional do Nordeste). Nesse período animou pastoralmente a Capela São João Maria Vianney e a Capela de São Sebastião, no Alto Branco, onde surgiu um grupo de jovens interessados na vida Sacerdotal, entre eles Padre Carlinhos, de Monteiro e o Padre Assis, hoje Reitor do Seminário.

Ordenado no dia oito de dezembro de 1972, por Dom Manoel Pereira da Costa, terceiro Bispo de Campina Grande, que lhe conferiu o Sacramento da Ordem, passando a viver como Sacerdote e ajudando na Cúria Diocesana. Nomeado Vigário Paroquial da Catedral, por Dom Manoel, permaneceu por dezesseis anos no ofício. Dez anos como vigário paroquial, “o pároco naquele tempo era o próprio Bispo”, quando Dom Manoel renunciou, assumiu por mais seis anos com o título de pároco da Catedral Nossa Senhora da Conceição.

Por ato de Dom Luis Gonzaga Fernandes, sucessor de Dom Manoel, pediu para fazer uma experiência na área rural, e foi nomeado pároco da Paróquia de Santana em Alagoa Nova, que naquele tempo compreendia também o município de Lagoa de Roça. “Foi uma experiência enriquecedora para a minha vida. Foram oito anos e oito meses.” Afirmou o Monsenhor.

Quando a Paróquia de Santo Antônio ficou vacante, antes confiada aos Padres Dehonistas, do Sagrado Coração de Jesus, Dom Luís o nomeou para aquela paróquia, na periferia de Campina Grande, “onde tivemos a feliz oportunidade de permanecer por mais de dez anos. Uma fabulosa experiência de inserção pastoral, vivendo no seio da comunidade.” Reiterou Monsenhor Lourildo.

Em abril de 2006, foi nomeado para a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no bairro da Prata, onde permanece até o momento, continuando “esta missão benfazeja, como Pastor, doando a nossa vida, para isso nos tornamos Sacerdote.” Completou.

Monsenhor Lourildo, quem o nomeou e qual o papel do Vigário Geral?
Fui nomeado Vigário Geral por Dom Matias Patrício, hoje Arcebispo de Natal, RN. Ele quis confiar a mim este ministério. Com sua saída para Natal, o Colégio de Consultores me escolheu pra ser Administrador Diocesano, enquanto a Santa Sé nomeava o Bispo para Campina Grande. Com a vinda de Dom Jaime, permaneci, sob sua nomeação como Vigário Geral. O papel do Vigário Geral é um assessor de grande importância numa Diocese, porque ele não só fica respondendo pela Diocese na ausência do Bispo, mas tendo determinadas funções de Governo junto ao Bispo. É um assessor direto. As preocupações do Bispo são suas preocupações. Com todo empenho pastoral de incremento, da animação de toda a Diocese. Um cargo de confiança. A presença do Vigário Geral é a presença do Bispo, ele não só administra com o Bispo, como também é presença do Bispo na Igreja e na sociedade civil.

Como é a relação do Vigário Geral, hoje, com o Clero Diocesano?
Uma relação de amizade, fraternidade, de acolhimento, sempre quis zelar por isso. Com o cuidado de manter o respeito, a admiração, de modo que nos relacionamos muito bem. Isso é muito importante para que a tarefa possa ser levada a frente. Precisa, evidentemente, de muita compreensão, de muito amor no coração, porque isso feito, estabelecendo o círculo de amizades verdadeiras, se estabelece a confiança e assim é mais fácil de estarmos juntos na reflexão de determinados problemas e ao mesmo tempo, na chegada de uma solução que seja colegiada e que nos faça cada vez mais verdadeiramente fraternos, cada vez mais amigos.

Como o senhor lida com as críticas?
Ninguém é unanimidade. Como ser humano às vezes levantamos uma crítica ou então, somos criticados. Mas precisamos ter um espírito maior, que possamos superar determinados momentos. Precisamos perdoar quando são críticas mais fortes, pesadas, de tal forma que isso não venha influenciar em nosso mundo fraterno. Ter sempre um coração aberto para saber que isso acontece realmente no dia-a-dia. Ter um espírito disponível para acolher a todos nos momentos de maior tensão

E o valor do perdão na vida comunitária?
Eu acredito que o cristão procura ter como grande paradigma, como modelo, a pessoa de Jesus. Se todos os cristãos discípulos, missionários, são intimados pelo Senhor a aceitar em sua vida o mandamento novo que Ele nos concede, evidentemente que todo o esforço deve ser feito para que haja amor nos corações. Nós sabemos que, como criaturas humanas somos falhos, necessitamos sempre da misericórdia do Senhor, e essa mesma misericórdia chega a ser o exercício de nosso dia-a-dia em nossa vida. Não devemos guardar rancor, ódio no coração. Não promover intriga, indiferença, isso não faz parte do discipulado do Senhor. Precisamos nos deixar tomar pelo sentimento de Jesus.

O que o moveu durante todos estes trinta e cinco anos de sacerdócio?
O Chamado do Senhor. A vida no chamado de Deus. A vontade de se colocar a serviço da Igreja, respondendo sempre afirmativamente ao seu chamado. Ao fazer opção de vida, agente sempre deixa alguma coisa de lado e deve seguir a inspiração maior, a intuição maior. Por isso me dediquei com muito carinho e o faço com muita paixão o meu ministério, por que além de colocar minhas pobres forças na imperfeição de minha vida, eu sei que há a força do Senhor que está conosco o tempo todo. Um chamado, uma generosidade da resposta, uma coragem de renunciar para fazer acontecer na vida, a vontade do Senhor.

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